quarta-feira, 16 de maio de 2012

16 de Maio de 2012. Crianças na memória. Tenho uma amiga que teve sua filha dois dias antes da minha Camila nascer. Durante a primeira infância saímos muito juntas, parquinhos, teatrinhos, circos, cinemas, festinhas de aniversário. A alegria e a constância dos encontros durou muito pouco. Com tão tenra idade já havia percebido que a criança de minha amiga seria daquele jeitinho. Uma lembrança que não me sai da cabeça é uma ida ao Centro do Rio de Janeiro para encomendarmos um vestido de noiva. Minha amiga me pediu uma ajudinha na escolha do vestido de noiva de sua cunhada, e lá fomos nós, eu e minha filha, ela e sua menina, e a noiva com o sorriso colado na orelha. Tão feliz estava com o casamento que mesmo que o camelô da esquina a orientasse sobre o vestido tudo estaria perfeito. Chegamos na loja e prontamente recebi a incumbência de além é claro de passar o cartão para o pagamento das compras, e que o dito valor me seria devolvido em suaves prestações, de ficar com as duas meninas enquanto todo o processo de escolha fosse feito. Pessoa, te conto que a criança de minha amiga usava um batom vermelho sangue-tié-carmim, sei lá mais o que, que era retocado a cada dois minutos, (ah, esqueci de dizer que as crianças tinham somente três aninhos), e que corria por entre os vestidos com seu bocão vermelho deixando toda a equipe da loja apavorada. Era noiva correndo, gerente segurando, segurança me olhando de cara feia, funcionário trazendo pirulito para que ela se acalmasse e nada. O pior é ter que explicar que a filha não era a minha. Que a minha estava sentada num cantinho com seu livro, atônita com aquela situação. Mas quem acredita nisso numa hora de sufoco? Por passava tentando segurar a menina, sentia os olhares fuzilando minha cara. A mãe da criança alheia a tudo o que acontecia permanecia no reservado com sua cunhada experimentando seu vestido. Depois da correria, consigo segurar a criança e sou jogada escada abaixo e paro no andar térreo com dores por todos os lados. Nessa hora o sangue ferveu, subo a escada, pego minha filha, bato na porta do reservado, entrego a criança e vou embora. Claro que não recebi o convite do casamento, mais entendi porquê a criança da pecurrucha não ser mais convidada para as festinhas dos amigos...

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